A palavra apostasia está relacionada ao afastamento ou abandono da fé que anteriormente era professada. No contexto bíblico, o termo aponta para uma ruptura com a verdade recebida, podendo envolver o abandono de princípios fundamentais da fé e a substituição da Palavra de Deus por ensinamentos humanos, interesses pessoais ou doutrinas que não encontram respaldo nas Escrituras.
Esse é com certeza, um assunto que merece toda nossa atenção. Estamos em uma época na qual muitas vozes disputam a atenção das pessoas. Há diferentes pregadores, ensinamentos, interpretações e propostas religiosas sendo apresentadas diariamente. Diante disso, o cristão precisa desenvolver o que denominamos de discernimento espiritual. É possível que alguém tenha ensinado corretamente durante determinado período de sua vida e, posteriormente, tenha se afastado dos princípios que antes defendia. Por isso, nossa segurança não deve estar simplesmente na reputação de um pregador, na sua história, na quantidade de pessoas que o seguem ou na eloquência de suas palavras. Nossa referência precisa continuar sendo a Palavra de Deus.
O profeta Jeremias recebeu uma advertência muito séria do Senhor a respeito de profetas que apresentavam como mensagem divina aquilo que, na realidade, procedia de outras fontes: “Por isso, eu sou contra os profetas que roubam uns dos outros as minhas palavras e as proclamam como se fossem minhas.” (Jeremias 23:30)
E o Senhor continua denunciando aqueles que falavam suas próprias palavras, atribuindo-as a Deus (Jeremias 23:31). A gravidade está justamente nisso: colocar na boca de Deus aquilo que Deus não disse. Quando opiniões pessoais, interesses particulares ou interpretações humanas são apresentadas como se fossem a Palavra do Senhor, a verdade bíblica é distorcida. Jesus também deixou uma advertência muito clara: “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de pele de ovelha, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão por seus frutos.” (Mateus 7:15-16) Jesus não ensinou seus discípulos a avaliar apenas a aparência. Ele falou sobre frutos. Isso significa que precisamos observar aquilo que determinado ensino produz e, principalmente, verificar se aquilo que está sendo ensinado está de acordo com a verdade revelada nas Escrituras.
O apóstolo Paulo também apresentou um princípio fundamental aos cristãos de Bereia. Ao ouvirem sua pregação, eles examinavam diariamente as Escrituras para verificar se aquilo que Paulo ensinava correspondia à Palavra de Deus (Atos 17:11). Isso é extraordinário. Se os bereanos conferiam até mesmo a pregação de Paulo com as Escrituras, quanto mais nós devemos examinar aquilo que ouvimos atualmente. Não aceite uma mensagem simplesmente porque foi apresentada por alguém conhecido. Examine-a. Não aceite uma doutrina apenas porque é popular. Compare-a com as Escrituras.
Não aceite uma interpretação simplesmente porque foi repetida muitas vezes. Pergunte: onde está o fundamento bíblico? A Bíblia nos orienta a não sermos ingênuos diante de todo tipo de ensinamento. Paulo escreveu aos efésios que o cristão maduro não deve permanecer como uma criança espiritual, “levada de um lado para outro pelas ondas” de todo vento de doutrina (Efésios 4:14). Isso exige conhecimento da Palavra. Quem não conhece as Escrituras fica muito mais vulnerável a qualquer ensinamento apresentado com aparência de espiritualidade. Por isso, estudar a Bíblia não é responsabilidade exclusiva dos pastores, professores ou líderes. Todo cristão precisa conhecer a Palavra de Deus. Jesus disse: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” (João 17:17) em outro oportunidade disse: Acaso não estão errados pelo fato de não conhecerem as Escrituras nem o poder de Deus? (Marcos 12:24)
A verdade não precisa ser reinventada para atender às preferências de cada geração. Precisamos, sim, compreender corretamente as Escrituras e permitir que elas confrontem, corrijam e transformem nossa maneira de pensar. Também precisamos ter cuidado para não transformar toda divergência de interpretação em apostasia. Existem questões secundárias nas quais cristãos sinceros podem ter entendimentos diferentes. O discernimento bíblico exige conhecimento, contexto, humildade e responsabilidade. Entretanto, quando alguém deliberadamente abandona verdades essenciais da fé cristã, distorce as Escrituras ou coloca interesses pessoais acima da autoridade da Palavra, precisamos levar o assunto a sério.
Tenha cuidado com aquilo que você ouve. Abra sua mente e seu coração para aprender, mas mantenha sua consciência submetida às Escrituras. Não siga homens cegamente. Não construa sua fé sobre personalidades. Construa sua vida sobre Cristo e sobre a verdade da Palavra de Deus. Romanos 10:17 nos lembra: “A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo.” Que o nosso desejo seja ouvir aquilo que verdadeiramente procede de Deus, examinar tudo à luz das Escrituras e permanecer firmes na fé. Em um tempo de muitas vozes, precisamos conhecer cada vez melhor a voz da verdade. Que Deus nos dê sabedoria, discernimento e humildade para reconhecer o que é genuinamente bíblico e rejeitar aquilo que distorce a verdade. Permaneça na Palavra. Examine tudo. Discernir também é uma forma de permanecer fiel.
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Deus lhe abençoe em família!


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